sábado, 9 de abril de 2011

Charles Baudelaire, Os Cegos; BH, 090402011.

Olha, ó minha alma, como eles são horrorosos!
Iguais aos manequins, um tanto extravagantes;
Como sonâmbulos se vão terrificantes,
Não sei onde apontando os globos tenebrosos.

Seu olhar que perdeu a centelha divina,
Como se visse além, prender-se na amplidão
Do céu; e em tempo algum a fronte para o chão,
A pensar e cismar, sonhadora se inclina.

Lá se vão através da imensa escuridade,
Esta irmã do silêncio. E contempla, ó Cidade,
Que ficas tão cruel, na busca do prazer:

Enquanto, junto a nós, fazes grande alarido,
Arrasto-me, também, dizendo mais perdido:
Que estão no Céu buscando os que não podem ver?

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