sábado, 9 de abril de 2011

Stéphane Mallarmé, Santa; BH, 090402011.

Na alma janela em que se esconde
O velho cedro se desdoura
Do violino reluzente
Antanho e a flauta ou a mandora,

Pálida, a Santa está mostrando
A se entreabrir velho missal
Seu cantochão indo esparzir
Antanho o ofício vesperal:

Nessa vidraça de ostensório
Que roça uma harpa ao fim do dia
Pelo Anjo feita com seu vôo
Para a falange toda esguia

Do dedo que, sem velho cedro,
Velho missal, mantém fremente
Por sobre a pluma instrumental,
Tangendo música silene.

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