sexta-feira, 8 de abril de 2011

Luís Vaz de Camões, Soneto 44; BH, 080402011.

Ditoso seja aquele que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder n'algum tempo ser contente.

Ditoso seja quem, estando ausente
Não sente mais que a pena das lembranças;
Porqu' inda que se tema de mudanças,
Menos se teme a dor quando se sente.

Ditoso seja, enfim, qualquer estado,
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem o coração atormentado.

Mas triste quem se sente magoasdo
De erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar n'alma a mágoa do pecado.

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