Um urubu pousou na minha sorte!;
Amo o coveiro - este ladrão comum que arrasta a gente para o cemitério!;
O beijo, amigo, é a véspera do escarro;
Comi meus olhos cru no cemitério;
Homem, carne sem luz, a tua própria boca te maldiz;
Os defuntos então me ofereciam num prato de hospital, cheios de vermes,
Todos os animais que apodreciam!;
Já o verme - este operário das ruínas - anda a espreitar meus olhos para roê-los;
Fetos magros, ainda na placenta, estendiam-me as mãos rudimentares!;
Não sei por que me vêm sempre à lembrança o estômago esfaqueado
De uma criança e um pedaço de víscera escarlate;
O corvo que comer as suas fibras há de achar nelas um sabor amargo!;
Há de engolir, igual a um porco, os restos duma comida horrivelmente azeda;
Podre meu pai! E a mão que enchi de beijos roída toda de bichos, como os queijos;
Acostuma-te à lama que te espera!;
É a morte - carnívora assanhada -, serpente má de língua envenenada,
Que tudo que acha no caminho, come...
Queria ser, numa última cobiça, a fatia esponjosa de carniça que os corvos
Comem sobre as jurubebas.
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