quinta-feira, 7 de abril de 2011

A morte vem de barco; RJ, 080301997; Publicado: BH, 070402011.

A morte vem de barco
Breve ligeira
Silenciosa como o ar
Transparente clara
Acabou de chegar
Chegou aos nossos ouvidos
Molhou nossos olhos
Fechou nossas almas
Prantos choros
São linguagens cotidianas
Flores de cemitérios
Funerárias de papa-defuntos
A morte é o conjunto
É só solitária
É certa errada
Mete medo em todos
Não livra a cara
Não perdoa ninguém
Chegou a vez
Não esperneia
Fecha o guarda-chuva
Abotoa o paletó
Vamos nessa
Se sobe ou se desce
O elevador ninguém conhece
De lá nunca voltou
Se é bom ou ruim
Só mesmo ao conhecer a morte
Frente à frente
Tentar botá-la para correr

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