quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Noturno Nº 12; BH, 0110702011.

A noite foi feita para escrever poemas,
Observar fantasmas, espíritos; em cada
Canto e recantos do pátio, alguma
Alma se esconde nas frestas do tempo;
Algo se move como se não se movesse e
A todo momento olho o que não vejo;
A noite foi feita para se sentir latejar os
Inconscientes; olhos latentes atentos
Observam por detrás das pilastras;
Uns correm, brincam de esconder,
De pique e outras travessuras; o
Silêncio é total, e a lua lá do
Alto manda as suas reminiscências; é,
A noite foi feita para os poetas morrerem,
Sangrarem, passarem ao papel os
Papiros do esconde-esconde e os
Pergaminhos esquecidos nas reentrâncias;
Todos gritam ao mesmo tempo e não
Ouve-se nada; é um silêncio demasiado
De furar tímpanos, como se tudo fosse,
Um sanatório para loucos, abandonado;
Ali está Arthur Bispo do Rosário e os seus
Mantos reais; adiante Febrônio em febre
Ainda e Lucas Ivanovitch Furtado Medina,
Saracoteia-se num redemoinho sem fim;
Depois corre de costas, choca-se
Contra os pilares, bate as mãos nas
Paredes: Lucas, o que é isso rapaz?
Não me ouve no transe, e emite só
Um som indefectível e segue
Noite adentro a se balançar sem
Um olhar sequer para mim; Lucas,
Espera-me, vou contigo; sou eu,
Teu pai; seja meu carrasco, tomas
A ponta desta corda, arrasta-me
Cativo, atrás de ti.

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