domingo, 26 de agosto de 2012

Noturno Nº 29; BH, 0180702011.

A minha ansiedade por parir, não está no roteiro
Natural; é um script que não conheço a
Íntegra da ânsia, e a angústia que me
Deprime, é não ver meu filho chorar
Recém-nascido, mover as perninhas e os
Bracinhos, e fazer caretinhas ofuscado pela
Luz na qual veio parar; e parir todo
Dia, toda hora, é tudo que pulsa, vibra,
Mexe e remexe dentro de mim; os filhos
Latejam aprisionados, acorrentados
Nas grutas; forçam a bolsa, arrebentam a
Placenta e não escolhem momento
Para nascer; nascem eternamente,
Infinitamente, são teimosos e
Querem muito; é a posteridade, é a
Eternidade; e tenho que ser mãe
E pai e parteiro; tenho que fazer o parto,
Sem ser especialista, e muitos nascem
Com anomalias, com síndromes, com
Algum tipo de deficiência rara e
Desconhecida; não nasce um genial,
Sensacional, ou especial; todos são tão
Iguais que dificulta-me observar
Diferenças, qualidades, critérios; e sabem
Que independem de mim; querem nascer,
Que seja a carne, que seja o osso, o
Espírito; querem que seja a via,
Não importa a que preço, a que
Custo; não importa o que me
Causarão; querem nascer, devoram-me
As entranhas, danificam-me o organismo,
E fazem com que meu cadáver,
Pareça vivo, com as suas ressonâncias e
Disputam com os negros vermes, cada
Naco de carne que possa gerar um
Artifício que os leve de encontro à luz.

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