quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Noturno Nº 8; BH, 090702011.

Os únicos espíritos que me sondam,
São os espíritos malditos dos poetas
Malditos com suas poesias malditas;
Mas não me possuem, não me deixam
Possesso, não tenho competência;
E depois de morto, não entrarei
Em tão alta e tão fechada confraria;
Não comporei academia mais terrível,
Para topar de uma hora para outra,
Com um dos seus temidos componentes;
E lá continuarei o mesmo poeta morto,
Sou o que estou a dizer, pois eles
Não dizem somos poetas, eles não se
Rotulam e para eles nada 
Interessa a não ser a essência da 
Poesia; servir e só a essa musa, é quem
Querem engrandecer; e no intento,
Dilaceram-se, torturam-se, mutilam-se,
Tatuam-se, flagelam-se, cicatrizam-se,
Depuram-se e expelem a mais bela
Pérola maldita; sem dor não
Purificam-se e sem pecados, não
Salvam-se; e abrem mão da própria 
Salvação e abominam a religião;
E quando os sondo não os conheço,
Não falo nem da minha sorte e 
Nem do meu azar; percebem que quero
Misturar-me para me safar; uso de 
Ardil para não ser expulso e copio
E compilo o canto dos pássaros e os 
Piados das aves; refugio-me nas 
Estrelas e construo meu castelo da 
Rocha dos milenares vulcões; e invoco-lhes:
Mestres das inspirações poéticas, bacharéis
Do limbo, disponhais desta mão decepada
E desta pobre cabeça decapitada.

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