segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Noturno Nº 20; BH, 0130702011.

Não posso dizer que sou eu, não; sem
Angústia, ansiedade, ambição; sou
Total moradia de tudo e de todos
Que sou; mas o que quero ser, o que
Desejo me formar, não nasci ainda
Em mim, não nasceu em meu eu;
Por isso sou incerto, uma seta
Fora do alvo; um arqueiro sem
O arco, um barco que não volta ao
Porto, vaga mares e oceanos e nas
Vagas parte o casco de madeiro
De lei e quilha de cedro nobre;
Quem resiste aos rochedos onde são
Lançados e das rochas que caem dos
Céus, abrem crateras, dizimam vastas
Civilizações; quem chega à beira do
Mar é vencedor; vence todas as
Batalhas que as ondas desafiantes nos
Lançam de história  em história
Que em todas as ondas têm; e recebe
Nas costas os séculos e os milênios e
Não transforma-se em areia; não
Dispersa-se com o vendaval; e
De grão em grão ergue sua duna
E admira em silêncio noturno
Do que é capaz; e acaba uma duna
E tem ansiedade em erguer outra
Maior; e de amanhecer em amanhecer,
Conta as vitórias às aves que piam
Quando é manhã; e tem um
Orgulho secreto na veia, continuar
A jornada interrompida; não tem
Nem pressa para viver, comprime
As veias do universo e assusta-se,
É chegada a hora de entrar na
Colmeia, se servir do mel,
Uma abelha rainha.

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