terça-feira, 14 de agosto de 2012

Casimiro de Abreu, A Valsa; BH, 0140802012.

Tu, ontem
Na dança
Que cansa,
Voavas
C'o as faces
Em rosas
Formosas
De vivo,
Lascivo
Carmim;
Na valsa
Tão falsa,
Corrias,
Fugias ,
Ardente,
Contente,
Tranquila,
Serena,
Sem pena
De mim!
Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas
 - Não negues,
Não mintas...
 - Eu vi!...

Valsavas.
 - Teus belos
Cabelos,
Já soltos,
Revoltos,
Saltavam,
Voavam,
Brincavam,
No colo
Que é meu;
E os olhos
Escuros
Tão puros,
Os olhos
Perjuros
Volvias;
Tremias;
Sorrias
P'ra outro,
Não eu!
Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
 - Não negues,
Não mintas...
 - Eu vi!...

Meu Deus!
Eras bela
Donzela,
Valsando,
Sorrindo,
Fugindo,
Qual silfo
Risonho,
Que em sonho
Nos vem!
Mas esse
Sorriso
Tão liso,
Que tinhas
Nos lábios
De rosa,
formosa,
Tu davas,
Mandavas
A quem?
Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
 - Não negues,
Não mintas...
 - Eu vi!...

Calado,
Sozinho,
Mesquinho,
em zelos
Ardendo,
eu vi-te
correndo
Tão falsa
Na valsa
Veloz!
Eu triste
Vi tudo!
Mas mudo
Não tive
Nas galas
Das salas,
Nem falsas,
Nem cantos,
Nem prantos,
Nem voz!
Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
 - Não negues,
Não mintas...
 - Eu vi!...

Na valsa
Cansaste:
Ficaste
Pensavas,
Cismavas,
E estavas
Tão pálida então;
Qual pálida
Rosa
Mimosa ,
No vale
Do vento
Cruento
Batida,
Caída
Sem vida
No chão!
Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
 - Não negues,
Não mintas...
 - Eu vi!...

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