domingo, 21 de outubro de 2012

Patagônia, 927, 22; BH, 02101002012.

Fenômeno da escrita? mas o que
Posso fazer, não nasci para fenômeno;
Sim, gosto de escrever, gosto de
Pensar e escrever, e de pensar
Que escrevo; poeta, bardo, trovador,
Escritor? jogador no banco de
Reservas, na regra três, goleador
Bissexto, só de vez em quando
Marco um golzinho; qualquer pensamento
Satisfaz-me,  mata o meu desejo e
Aplaca a minha fome; pena não
Poder ser artilheiro, vibrar a dar
Socos no ar ou correr a mandar
Beijinhos e acenos e gestos para a
Torcida; a torcida dos amantes da
Escrita é pequena, discreta, fria,
Comportada; não faz alarido, brigas,
Rivalidades, rixas, violências,
Mortes, paixões; o time dos amantes
Das escritas, perderá sempre por
Amplos placares, com derrotas vergonhosas;
E aonde andam os ventos, meus amigos,
Companheiros, que inda não vieram
Dar-me as boas vindas? onde se escondem
Todos eles? por qual brecha escaparam?
Foram às estrelas? dispersaram-se pelo
Universo? aonde correram esses vagabundos
Das noites e das madrugadas? esses
Notívagos boêmios cantantes gementes?
Assobiadores, uivadores, imitadores de
Legião? em que canil vão esses cães,
Esses cachorros que não latem mais?
Esses galos de briga, valentes, cacarejadores
E dominadores de terreiros, terrenos e
Territórios? quem aprisiona esses
Gladiadores fenomenais?

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