segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Patagônia, 927, 7; BH, 0310802011.

Que noite de ventos uivantes; nossa,
Chegam a causar-me calafrios; que
Ventos cantantes, batem nos vidros e
Querem me fazer vibrar; os vidros tinem
Com as pancadas vindas de todas os
Lados; assombram-me estes ventos
Uivantes, vindos das gargantas do universo,
Das entranhas da terra, das cavernas
E grutas milenares; são ventos que
Abrem rochas, tocam violinos, tocam
Violoncelos e fazem sonatas, serenatas,
Cantatas, fanfarras; hora são mil
Trombetas, depois clarins, clarinetas,
Pistons, saxofones; que noite de ventos
Uivantes; não me deixam dormir; querem-me
Por companheiro amigo, estar ao meu
Lado; querem ficar comigo e
Sacodem tudo de todas as
Direções; sinto pena então dos
Mortos, não percebem estes ventos
Acelerados, que querem conversar,
Imitar coiotes, uivar feito lobos
Loucos; que pena de quem não é
Poeta; dos que não captam estas poesias
Celeradas, estes poemas que até
Parecem vozes de gente, sinos de
Igreja, gemidos de mulheres no ato
De amar, e balido de carneirinhos
Presos em moitas de espinhos; que
Coisa de doido estes ventos uivantes;
Estão aqui meliantes, marginais,
De outras felesias, de distantes
Pradarias, de altos chapadões; infindáveis
Câniones e desfiladeiros por onde
Escoam as almas de nossos ancestrais.

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