quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Tereza Mota Valadares, 190, 8; BH, 02201102011.

Minha mente hoje não quer nada,
É uma mente biográfica, num
Cérebro esquizofrênico, e por mais
Que eu faça-a querer alguma
Coisa, ela reluta de volta a
Não querer coisa alguma; a
Esquizofrenia não a deixa  a
Querer uma obra-prima, e ela
Teima então na obra morta; e
Fica feliz ao embriagar-se de
Vinho; fica contente ao ficar
Bêbada de cerveja; e depois,
Eufórica, ao encher-se de álcool,
No dia seguinte, esperneia-se
De depressão; quer se matar
E não quer se matar e nem
Sabe o que quer; é uma peneira
E vaza tudo por todos os lados;
Afunda nos rios mais rasos
E fica presa no lodo do fundo
Dos lagos e na lama dos pantanais;
Minha mente hoje está demente,
Tumultuada, comeu não sei
O que, que lhe causou má digestão;
A azia ataca o seu organismo,
E só o cansaço resiste em não
Abandoná-la e faz-lhe companhia
À preguiça que a paralisa;
Parece querer dormir, mas não
Há lugar para repousar a cabeça;
Não há lugar para mente na
Minha mente; a doença a degenera
E ela fica sem opção de existir;
Cochila, dorme, vive na letargia;
É uma aliá presa pelo minotauro
Dos labirintos cerebrais.

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