domingo, 7 de junho de 2015

Rio Grande do Norte, 916, 28; BH, 050702012.

Brinquei muito na infância e brinco,
Rio, menino, pique cola, corrida,
Demarré e de roda, boca de forno
E anelzinho; nasci já velho, de nove
Meses e fui durante a vida, criança
Sempre; amei cantar sem saber
Cantar e lascava italiano, inglês,
Espanhol; imitava o francês, na voz
E no jeito, e para mim era perfeito;
Dava agudos dissonantes e matava
A música, desafinado e triste;
Morria de amores pelas meninas
Da rua e não me declarava, queria
Que descobrissem por conta
Própria, que iludia meu peito, com
Amores e beijos e nenhuma, de
Tão pueril que era, aceitava de
Bom grado, o falso príncipe; lutei
Com dragões, São Jorge e
Amancei cavalos selvagens,
Graças aos sonhos encruados de
Dentro de mim, suave menino,
Pele de canarinho, tranças de lã
De cordeirinho; e contavam-me
Os mais velhos e sábios, que as
Moças adoravam a pegar-me e
Sonhava em casar-me com todas.

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