quarta-feira, 24 de junho de 2015

Rio Grande do Norte, 916, 52; BH, 0100702012.

A minha herança é a dos negros africanos,
Aprisionados em suas aldeias e mandados
Ao mundo como escravos; a minha
Herança não podia ser outra, é a herança
Da escravidão, dos porões dos navios
Negreiros, das doenças vindas com esses
Negros, dos corpos atirados em alto-mar;
Não me livrarei nunca deste passado e
Não quero me livrar; quero bater sempre
À porta da viagem sem volta e me
Envergonhar em nome daqueles que não
Têm vergonha do que fizeram; a minha
Herança é o banto, a macumba, a
Umbanda, o iorubá, as missas e as
Tradições dos negros, os rituais dos
Cultos aos atabaques, dos tambores, dos
Tantãs; a minha herança é de dor, a dor
Das Marias Pretas, as lavadeiras, as
Cozinheiras e escravas sexuais; é o
Canto triste das senzalas, a alegria das
Rodas de samba, das danças e os
Santos e as santas das religiões negras
E seus reis e rainhas; a minha herança
É a que enriqueceu o mundo e que
Sem essa herança, o mundo seria
Bem mais pobre e mal iluminado.

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