domingo, 21 de junho de 2015

Rio Grande do Norte, 916, 46; BH, 080702012.

Todo escritor é como uma mulher grávida
E a obra gerada, como um filho, também
Tem que passar por um período de
Gestação; o escritor é como uma mulher
Em gravidade, que quem engravida foi o
Universo, foi o infinito; e todo escritor
Quando está grávido, tem que parir e
Nunca de cesariana e sim de parto normal
Em qualquer estado da matéria, ou meio
De elemento; e sou um escritor grávido,
Com alma de puta, promíscuo, com
Essência de meretriz, de ser devasso, de
Ente infeliz; e nunca dei a luz, nunca pari
E meus filhos e filhas continuam encruados
Dentro do meu útero entumescido; e nunca
Dei a luz aos monstros que me engravidam
E dos quais estou grávido de risco deles;
E não querem nascer de mim, não querem
Que eu seja mãe e nem querem que eu
Seja pai; e tenho peito e tenho seio e
Tenho mamas, inda secas, mas que a
Qualquer momento, podem jorrar leite
Para amamentar e mel para alimentar e
Fel para magoar e um murmúrio que mais
Parece o latejar da pedra quando quer parir.

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