domingo, 28 de junho de 2015

Rio Grande do Norte, 916, 54; BH, 0110702012.

Inda estou aqui fossilizado, Fênix,
Vim dos meus antepassados, negros
Avôs, negras avós, velhos índios
Nômades, velhas índias ciganas;
Oscilei no tempo desde a pré-história,
Vivo ainda em tempo antigo;
Iniciei saga e não finalizei e
Topei com europeus de olhos azuis;
Caminhei a procurar uma árvore,
Habitei cavernas, florestas, topos de
Morros e de montanhas e dormi
Entre feras em jaulas de pedras;
Dei de mim carne e osso e sangue
Frescos; todas as minhas sombras e
Assombrações e nada satisfez, ou
Fez um final feliz; agora à toda hora
Choro ao bater surdamente com a
Cabeça no poente; agora imploro
Em orações e lamentações, numa
Esperança que não tenho, que
Tudo caia do céu para mim, como
Outro milagre propagandeado;
Saúde, salvação, vida eterna,
Cura, pão; pedinte inveterado,
Peço o possível e o impossível e
O firmamento não se abala com
As minhas preces; os céus não proclamam
Uma vibração em recebimento delas.

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