segunda-feira, 29 de junho de 2015

Rio Grande do Norte, 916, 55; BH, 0110702012.

Ganhei a vida para escrever e não
Perco tempo, ganhei a vida para escrever
E escrevo a vida que ganhei; e aproveito
E até escrevo a morte que vou ganhar,
Apesar de não conhecer bem, nenhuma
Das duas; à vida, finjo, e à morte, minto
E quando a vida não mais me querer, a
Morte me quererá, de mãos e braços
Abertos; a morte não perde tempo
Também e quem vai de encontro à
Morte, vai de vez e não volta nunca mais,
Como grasna o corvo; mas da vida
Só quero viver para escrever e da
Morte quero, por não ter outro
Destino, a não ser, morrer; quem
Pensa diferente, terá também o meu
Respeito, como sempre o coloquei; à
Minha frente, mesmo quando sou
Desrespeitado, vivo condicionado,
Adaptado ao sistema; numerado por
Todos os lados, enquadrado, preso,
Cheio de senhas, explorado pelo
Estado, extorquido pelos bancos e
Enganado e caluniado pelos poderes,
Mesmo assim, violentado, seviciado,
Sodomizado, escrevo feliz, como se
Nada acontecesse comigo; como se
Não sofresse agressão da polícia,
Que pago par me proteger e me
Comete injustiça; ganhei a vida para
Escrever, mas, não vou mudar o
Mundo de lugar nunca à pena.

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