domingo, 21 de junho de 2015

Rio Grande do Norte, 916, 48; BH, 0100702012.

Sois felizes, alegres, infalíveis, competentes,
Perfeitos, sãos, sadios, santos, sagrados,
Salvos, superiores, iluminados, ricos,
Milionários, bilionários afastais os vossos
Olhos das minhas obras; se não tendes
Motivos de sofrimentos, se não sentis
Dores, amargores, parai aí, jogais fora
Todas as minhas letras, apagai todas as
Minhas palavras; se não sois amaldiçoados,
Estigmatizados, renegados, bastardos, não
Tendes idiossincrasia para continuareis a
Ler estes escritos do mal; se não sois
Perdidos, desgarrados, das trevas, dos
Rochedos, das areias escaldantes, dos
Subterrâneos, rasgai estas linhas malditas;
São para quem têm labeis na pré-história,
Na escravidão, na inquisição, na tortura
Da ditadura, nos senhores das guerras
Neoliberais, nos senhores que jogam
Lixos, resíduos atômicos nas costas dos
Países africanos; são para as mulheres
Mutiladas pelas religiões, pelos maridos,
Pelo estado; se sois indiferentes, fósseis
Vivos, zumbis, neo-modernos, das
Superfícies, lançai nas fogueiras estes
Pergaminhos de papiros encardidos.  

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