quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Alameda das Princesas, 756, 53; BH, 040902012.

Suspirei fundo, ai, quem me dera escrevesse as
Coisas mais belas do mundo, as palavras
Mais sábias do universo; sussurrei tênue ao
Meu ouvido: malgrado meu, não ter nem
Um dom, o dom do teor escrito; solucei
Ao pé duma fonte que descia do monte, a carregar
Cristalinas águas, para matar a sede do mar:
Tivesse a natureza provido-me  do bem  que
Esta fonte tem, com uma única poesia, e seria
Alguém; aquiesci, para sossegar-me: não passarei
De uma pegada na areia da praia, ou de uma palha
Levada pelo vento; veio a noite, adentrei-me
Nela a perscrutar e a madrugada encontrou-me
Ainda no mesmo lugar; auscultava com o olhar,
Para todos os vultos noturnos nas suas sombras
E tentava encontrar uma arte, uma chave do saber,
Um elo do conhecimento, a sabedoria nas trevas;
Tateei no escuro igual a um cego, dei de cara
Com um paredão imenso, todo ele feito de rochas
Nobres, pedras maciças feriam-me as mãos;
Sentia meu sangue jorrar quente por entre meus
Dedos; sentia minhas unhas serem arrancadas
Pelas raízes e não sentia a dor; de repente,
Tudo clareou-se e quando o primeiro raio de
Sol feriu minhas retinas e bateu na pedra que mais
Se destacava, lá vi escrito um nome santo:
Yaznayah.

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