quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Noturno Nº 39 A; BH, 0210702011.

A madrugada é só para mim; sou muito
Ambicioso, a cobiço toda noite e para
Amaciar meu ego, é a madrugada para
Mim; a madrugada é sagrada, santa
E santificada, e não abro mão de
Possuí-la e de não querer viver sem
Ela, pois posso até morrer e vou morrer
Sem a madrugada para me socorrer;
Uns não vivem sem mulher; outros não
Vivem sem dinheiro, drogas, bens, consumos;
E sou diferente, não sou gente e
Não vivo sem madrugada; se ela tem
Amor,  o almejo; se ela tem paz, 
Também a desejo; se é solitária, solidão,
A madrugada habita meu coração;
Não quero a beleza, não quero a realeza,
Nem a burguesia, ou a elite quero;
Só a madrugada, acrediteis; gosto, sempre
Gostei, a madrugada é rainha, sou
Rei, domino, comando, mando, e quando
Ela não chega, entro em pranto; e
Pergunto então: quem sou para
Viver sem madrugada, meu irmão? só
Falta-me agora, uma canção, um violão,
Madrugada completa, não abro mão;
Quando chega a madrugada, e sou
Assim, outra pessoa, outro ser, mariposa,
Luzes do jardim; meu bem, achega-te
Aqui junto ao meu coração; não precisas
De ansiedade, bastam as luzes da cidade,
Os caminhos são os mesmos, nas mesmas
Esquinas; madrugada menina, que
Soube se fazer mulher, numa boa noite
De cafuné; e quando vem o dia feliz,
Meu bem, já faz tempo que estou de pé.

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