quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Chequer/Cançado, 1; BH, 0220702011.

O sol agoniza em busca dos esconderijos
Atrás das montanhas; cumpriu o papel
Determinado pelo universo; e busca
Outras palas, a embalar outras vidas, a
Deixar aqui em seu lugar, a amante,
Concubina noite, que nos alivia e
Nos seduz com inúmeras paredes, saliências,
Sensualidades; os amantes preparam
Os banquetes, vinhos, acepipes nos lupanares,
Para erguerem altares em oferendas aos
Deuses da orgia, da glória do prazer; as
Taças estão cheias, os corpos eletrizados, as
Bocas em ofertas de beijos; os seios palpitam,
Querem ser tocados, adorados; os ventres
Latejam, umedecem, lascivos; e na
Arena, gladiadores de espadas em riste,
Partem para pelejas de vida ou morte;
Reina a bacanal, frutas celestiais, temperos
Infernais, cheiros de odaliscas, de virgens
Grego-romanas; de clássicas esculturas
Definidas para jardins de palácios, para
Tendas, haréns; corpos se chocam em
Orgasmos; taças quebram-se ao encontro dos
Brindes; cascatas de néctares inundam em
Fragrâncias as narinas angelicais; e
Entre lençóis de seda, túnicas de linho,
Vestes de cambraia, inda rola-se
Na penumbra, algum vulto esquivo, alguma
Sombra súbita, que procura uma fuga,
Ao sentir o retorno do rei, que teve
A amante deflorada em vários braços;
Entregue a vários corpos; a boca
Beijada por sedentas bocas; e no altar,
A rainha desfalecida o espera, no
Rosto a fina dissimulação do enigmático
Sorriso de Mona Lisa.

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