sábado, 1 de setembro de 2012

Noturno Nº 31; BH, 0180702011.

O que escreves aí, homem santo? não sou
Homem santo não, santo homem, não sou
Nem homem; e não sou santo homem não,
Homem santo, não sou nem nem; então
Estamos juntos, és a minha sombra e    
Sou a tua sombra e atuamos os dois nas
Sombras noturnas, aonde vagam as mais
Poesias das poesias, dos recônditos da
Inspiração; façamos esta escada de ouro
Puro, depurado, que nos levará ao limite;
De que pode ser feito a escada, se estamos
Nus e sem ferramentas, e a noite é só o que
Temos para moldar os degraus? de que mais
Precisamos além da noite? somos bons
Artistas manufatureiros e a noite é mãe dos
Desprovidos, como adota aos ladrões;
Roubemos o que tivermos de roubar, tudo,
Enchamos os alforges, as pipas de vinhos, e
Os cântaros de mel; depois cantemos em
Serenata embriagados; os bêbados são filhos
Da noite; ela os protege no manto materno;
Os bêbados são noturnos perdidos; cada um
Tem o seu filão de dor; dor fingida, caro
Colega, não vês que nem mugimos nossos
Ais? e somos carneiros desmamados de
Pouco; e o rebanho ficou longe e no
Aprisco, outros carneiros querem subir a
Escada e não trouxeram degraus; eles
Que inventem os próprios meios de bem
Embriagarem-se, sem precisarem da lucidez
Alheia; são nossos semelhantes dessemelhantes;
Sei muito bem o que são: são loucos a voarem
Sem as asas, que ficaram esquecidas nas
Esquinas, enquanto espiavam pelas frestas,
A nudez do universo e suas vergonhas às vistas.

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