domingo, 9 de setembro de 2012

Noturno Nº 44; BH, 0210702011.

Boa-noite, noite; boa-madrugada, madrugada;
Bom-dia, dia; boa-tarde, tarde; e
Tudo de bom que puder acontecer,
É tudo que posso fazer nestes
Meus amados Noturnos, filhos da noite
E filhos da madrugada; é tudo que
Posso ter e que a incapacidade
Deu-me, porque se fosse capaz,
Seria muito mais sagaz; mas só
Sou estes Noturnos sangrados das
Pontas dos meus dedos, sem sentidos,
Sem mensagens, razão, ou noção;
É tudo que posso expor à luz,
Pela falta de lucidez que me
Seduz; quero ser sóbrio e não sei
Ser; quero ser nítido, lúcido,
Normal como todo ser, mas a
Aberração mórbida da estupidez que
Agiganta-se dentro de mim, me
Faz de cachorro pequenez e o
Baixio é o meu meio, o cheiro do
Bueiro o meu perfume, e a inhaca
De bêbado a fragrância sentida
À distância, a afastar os anjos
De mim; e exala em minha
Rua, o meu exílio, a canção que
Emana de mim e faz chorar
As pedras, espanta os passarinhos e
Modifica as rotas dos aviões; sou
Um tecelão que faz tapete voador
De pensamentos e passo de mão
Em mão a letra que trago no
Peito a palavra que sangra da
Ferida e a poesia que é a minha
Mãe escrita na minha alma de filho
Ingrato, pródigo, lançado às feras do amanhecer.

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