quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Não posso negar e é delírio e excesso; BH, 0250402001.

Não posso negar e é delírio e excesso
De sentimento e de exultação; é entusiasmo
Pela fé e pela paixão; não posso negar
É perturbação das faculdades intelectuais,
De causa mórbida e sintoma de determinadas
Doenças mentais, alucinação do espírito;
Não posso mais esconder e penso que,
Disparatar, tal alguém ao ficar fora de
Si, só tende a aumentar o exaltar dos
Ânimos, por estar a tresvariar, a delirar
E não poder esvanecer; apagar a convulsão
Cerebral e destruir as imagens do pesadelo;
Comecei a delir, a dissolver-me e até a
Desfazer-me num líquido que não consigo
Identificar; sincope? desmaio? liquefação
Sob ação da umidade do ar? delíquio
Que acontece com retratos em molduras
Nas paredes das casas? ou é deliquescência tal
O fenômeno observado em certos minerais e
Sólidos, que, absorvem a umidade do ar e
Nele se desfazem; continuo a deliquar, a
Pôr-me a derreter, decantar por ter culpa,
Por cometer falta grave, que não posso
Pagar; vivo a delinquir-me no crime e não
Tenho a quem pedir perdão, e nem sei
Quem irá perdoar meu ser desmaiado;
Devido ao espírito debilitado, o cérebro
Enfermiço; corpo caloso muito magro e
Delinquido só por dar uma ideia geral;
Demarcar, dispôr as partes principais dos
Princípios, esboçar um desenho e desenhar
Um esboço, é só um esforço para delinear,
Circunscrever uma sentença; restringir
O infinito; fixar os limites do firmamento;
Delimitar as paralelas; pode fazer a aplicação
De ligadura; pode apertar a ligadura
Da camisa de forças; a deligação por
Precaução; a quem irei causar delícia?
Quem irá deleitar e deliciar de prazer
No que quero escrever? a quem causarei
Encanto e gozo? sensação agradável
Aos vermes das trevas?

Nenhum comentário:

Postar um comentário