quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Prazer e não sei bem o que venha a ser isso; BH, 0250402001.

Prazer e não sei bem o que venha a ser isso; 
E gozo, não sinto e nem causo, iludo;
Encanto, só aos cegos; sensação agradável,
Desconheço; e voluptuosidade de deleite
Intenso, nem quando aproveito meu
Leite, em benefício de delícia a algum
Ser; tento ser terno, e mesmo de terno,
É impossível, não fico meigo; 
E perco as características de índio meigo
E suave; tento ser doce, de hálito azedo;
Espanto as moscas de leve; finjo-me de
Delgado e de frágil, precário por dentro,
Fraco por fora; choro toda hora de
Débil e de mole; e sou delicado só com
Os fortes; e mole com os corajosos; e macio
Com os duros; dúctil e brando com os
Violentos; e ponha um fraco na minha
Frente, e abusarei da fragilidade dele;
Ponha um covarde e humilharei a
Suavidade dele; exponha a brandura
De um homem e o escarnecerei; mostre
A cortesia e acabarei com a qualidade,
Pois não sou o que delibera delicadeza;
Não sou de deliberar educação, devido
Ao grau de ignorância que sustento;
E de deliberativo em mim, só o proveito
Próprio, a ambição e a inveja; e não
Queiras resolver comigo algo sério; não
Venhas determinar que tenha que
Trabalhar; consultar alguém mais bem
Preguiçoso do que eu, é difícil; discutir
Cultura e refletir, não é comigo; e
Decidir mediante alguma decisão
Ou exame, para mim é pior do
Que tocar com os lábios a água fresca
Depois de quarenta dias e quarenta noites
De tentação no deserto; saborear, matar a sede,
Nem quando quero libar, provar um
Vinho, beber um néctar de flores.

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