segunda-feira, 6 de abril de 2015

Com esta dor de cabeça não há pedra; BH, 03101202012.

Com esta dor de cabeça não há pedra
Que chore água e nem rocha que mine
Leite, ou colmeia que goteje mel; com
Esta dor de cabeça, o universo não cabe
Dentro dela, fica pequena, apertada,
A espremer os pensamentos, contra as paredes
Cranianas; a língua fica na boca, como se
Fosse língua de enforcado, grudenta, áspera,
Grossa, onde não se pode apreciar um
Argumento; e quem comanda agora todos
Os sentidos, sentimentos, é esta dor
De compressão atmosférica; aguardo o
Olho do furacão que me olha, enquanto
Busco as reverências das letras e das
Palavras reverendas, perdidas com
Esta dor de cabeça; e impede o
Destilar no santuário dos fluídos
E escasseia-se a testosterona, a libido,
A adrenalina, o sangue arterial no
Coração e o ar fica rarefeito nos pulmões;
Esta dor de falta de consciência, de
Falta de percepção e de perda dos
Sentidos; só não desmaio porque não
Existo: lateja, pulsa, vibra, reverbera,
Treme, freme, febril; é uma dor que,
Em cabeça humana jamais se viu;
Como se o ser de gerações em gerações
Não dormiu e quer acordar, quer
Nascer de parto normal; que dor de
Cabeça fendida, fundida em alto-forno,
Cuja matéria prima derretida, não
Gerou derivados de teores elevados.

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