sexta-feira, 24 de abril de 2015

O futuro me mete medo e não tenho base; BH, 0100102013.

O futuro me mete medo e não tenho base,
Sem base para o futuro, acovarda-me
O futuro diante do tempo; é que,
Desorganizado, não preparei-me
Para viajar até ao futuro; a máquina
Fundiu-se, o motor pifou-se e
Com a estrada em péssimas condições,
Chegarei ao futuro combalido; tento
Iludir-me e a outrem, que tudo
Correrá bem até lá; e a incerteza
É tão certa, tão grande, que sinto-me
Cada vez mais pequeno, com a chegada
Do futuro; e penso nem em querer chegar,
Penso em não querer ir, ficar aqui,
Estacionado, para ver o que vai dar;
Penso em ficar inerte, a fingir de morto
E que não é comigo esse papo de futuro;
Mas na verdade, quero é fugir, é ir
Para bem longe do futuro, para não
Encontrá-lo, não ter que encará-lo,
Olhos nos olhos, como da acareação,
Não terei a resistência de sustentar
Um cara à cara; o futuro me farar
Rastejar e não poderei apresentar
Álibi; não terei receita e nem bula
E todos já sabem de tudo e dirão: bem
Que avisamos, abrimos-lhe os olhos e
Não quis enxergar; agora o bicho pegou
Para o meu lado, coro comeu e
A chapa esquentou; o cobertor ficou curto,
Cobriu de um lado e descobriu do outro:
O futuro me pegou pelo pé.

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