quinta-feira, 16 de abril de 2015

Enquanto todos vivem lá fora ao sol; BH, 060102013.

Enquanto todos vivem lá fora ao sol,
No azul do céu, abençoados pelo firmamento,
Preso aqui neste cubículo, tento viver
Nestas linhas imaginárias, que o universo
Desconhece; todos saem para a clareza do
Dia, para a transparência do ar, a maravilha
Da vida; e aqui a penar, com a pena na mão,
A fingir a mim mesmo que vivo; as palmeiras
Olham-me de cima, através dos vidros e
Não compreendem nada; as amendoeiras,
Silenciosas, é que são motivos de vida aos
Passarinhos; o vento balança devagar, não
Quer assustar o dia e não ouço cachorros e
Nem galinhas: percebo que não ouço nada;
Os roncos dos automóveis, os roncos das
Motocicletas matam as equalizações da
Natureza; e percebo que não percebo mais a
Natureza, espigões assustam-me e pessoas
Desprezam-me; percebo que não amo nada
Disso que todos amam, não amo nada do
Que está perto; amo o que está distante, a
Distância, a lonjura, amo justamente, o que
Ninguém mais ama; que coisa esquisita e
Estranha que sou, todo mundo ama tudo
E não amo nada; que coisa estúpida e
Ignorante que sou, todo mundo quer tudo
E não quero nada; e contento-me com o
Mínimo, como posso ser tão bizarro e
Bisonho? contento-me com uma caneta, uma
Folha de papel e penso que sou o máximo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário