quarta-feira, 8 de abril de 2015

Hoje é um dia que não é para ser um dia; BH, 020102013.

Hoje é um dia que não é para ser um dia 
E não é para o galo cantar de madrugada, o
Cachorro latir e a galinha cacarejar;
E nem é para o vento ventar, levar
O cisco do quintal e as folhas das
Árvores caírem nos terreiros; as nuvens
Não galoparão pelos céus, as pedras não
Sairão dos seus lugares e nem a poeira
Pousará em cima dos móveis; as
Roupas não estarão nos varais e
Hoje as almas não se esconderão
Nos sótãos e nem os espíritos
Nos porões; e as assombrações não
Sairão das sombras e os sonâmbulos
Não andarão pelas paredes; os
Loucos não rodarão em seus redemoinhos
E não caminharão pelas ruas em sentido
Anti-horário; mentecaptos e energúmenos
Desesperados não baterão com as
Cabeças nas pontas das pedras dos
Paredões; hoje é um dia que não é para
Ser um dia hoje é um dia que não é para
Ser um é um dia que não é para ser é
É um dia que não é para aí é um dia
Que não é Então ver é um dia que não é
A solução, é um dia que o sol não resolveu
É um dia A resolução e a e uma luz brilhou
Num coração distante semente de um
Quase cadáver em encruzilhada  de raízes
De gameleiras mal-assombradas hoje é.

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