segunda-feira, 6 de abril de 2015

Olho a terra da qual sou feito; BH, 03101202012.

Olho a terra da qual sou feito
E não tenho a qualidade
Da massapé; mordo a terra de onde
Fui formado e o meu gosto é pior
Do que o gosto do torrão que mordo;
Bebo o barro que corre em minhas veias,
Argila, tabatinga e o que corre
Nas veias é o barro ralo, a lama
Mole; como a terra vermelha do
Chão que é meu e a carne do
Chão do qual levantei, é carne
De primeira; carne preta, rica, argilosa,
Muito fértil, sem nervos, sem ossos,
Sem sebos, sem gorduras; como da
Carne de onde vim, do pó que foi
Moldado a estrutura, em formato
De boneco, é uma carne que tem o
Sabor, é uma carne vermelha de
Minério, de mineral, de metal, de
Ferro; tenho na minha composição
O aço inoxidável e enferrujo-me à
Toa; olho para a terra que vai me
Comer, pois quero ser digerido nela,
Quero ser o feto a voltar ao útero
Sagrado, de novo no santuário do
Ovário, imergido na placenta do
Planeta água; e com o passar do
Tempo, ser de novo terra, barro,
Argila, tabatinga; e de novo lama
Rara para um outro boneco; talvez
Mais feliz, talvez livre e com as asas da
Liberdade; talvez superior, morador de
Estrelas, visitador de sóis, descobridor de
Planetas; beijo a terra do chão que me pariu.

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