Estou a precisar urgentemente
Não vem nenhuma às minhas
Mãos vou sair na mão todas
Passam ao longe todas tão
Distantes inatingíveis aqui
Postado prostrado a chorar
Lágrimas de sangue a boca
Um deserto aberto nem
Chuva de beijos nem de
Salivas com sede de lábios
Beiços sedentos nos meus
Sebentos o corpo fechado
Crespado crestado torrado
Pelo fogo do inferno mendigo
Peço imploro suplico num
Pranto turvo abafado de reza
De macumba de mandinga
Igual murmúrio de quem
Morre à míngua pelos
Cantos do mundo ladainha
De cego em porta de igreja
Zumbido de negro quando
Apanha na bunda amarrado ao
Tronco do pelourinho no
Quintal do terreiro da senzala
Murmúrio de preto com
Saudades da terra negra
Debaixo da chibata do feitor
No terreno da fazenda do
Senhor assim me suporto aqui
Neste mundo insuportável
Vil ser que ser mais vil que
A mais vil das vis mulheres
Quereria pelo menos abençoar
Passar a mão na cabeça chamar
De filho fazer cafuné catar
Piolhos igual macaco no meio
Da floresta num carinho natural
Rudimentar que o humano vai se
Afastar é difícil alguém para amar
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