Trago um aguilhão
Cravado no peito
No rumo do coração
É uma ponta de ferro
Um ferrão de inseto
Uma estaca de madeira
Como se fosse um vampiro
Que me causa intensa dor
Que não me traz estímulo
Nem incitação
Só uma aguilhoada
Uma picada que me causa
Dor aguda repentina
De zangão que perdeu o ferrão
Que não tem analgésico
Pois é um ser que quer picar
Aguilhoar aguilhar num eterno
Aguilhoamento que me lança
Por terra me faz delirar
Pedir ao padre
A extrema unção
Se ainda fosse uma agulha
Uma pequena haste delgada
Aguçada numa das extremidades
Com orifício noutra
Onde se enfia a linha para coser
A alma no corpo a boca do sapo
Quando a gente não quer morrer
Na haste delgada aguçada
Nas duas extremidades
Ou com um gancho numa delas
Utilizadas em trabalhos de tecelagens
De vodus outros patuás ou de
Malha renda pequena haste
Que se adapta à seringa de injeção
Do viciado no instrumento
Cirúrgico próprio para suturar
Ou fazer junções com a pequena
Peça de aço cuja ponta penetrava
Nos sulcos do disco fazia vibrar
O diafragma das vitrolas nos tempos
De nostalgia onde a rapaziada ouvia
Bob Dylan chorar
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