sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Alameda das Princesas, 756, 104; BH, 0201002012.

Vacilei demais, pisei na bola e abusei
Da regra três; sou reincidente, réu
Confesso e condenado; tive meu
Nome cosido nas bocas dos sapos e
A poesia que faço não vingou e o
Poema gorou; não joguei a bola
Esperada, perdi de goleada e não
Fui convocado para a seleção; meu
Futebol de tão pequenininho, não deu
Para o técnico me escalar nem entre
Os reservas; apelei para uma vaga de
Gandula e fui expulso de campo pelo
Juiz; e nas muitas vezes a bola era
Minha, o jogo de calções e camisas
Eram meus, só a vaga no time titular,
Era o que eu não tinha direito; tens
Problema de desenvolvimento de
Cérebro, de desenvolvimento de
Mente, atleta, não serves para jogador;
Vadiei por campos e campos,
Vagabundeei de gramados em
Gramados e iletrado nas artes e
Na difícil arte de jogar fácil, não fiz
Gol de letra, nem de palavra, nem de
Placa, ou de bicicleta; e o gol mais
Feito, que é o gol de mão e que todo
Mundo sabe fazer, perdi; não marquei
E encerrei a carreira, sem diversão e  .
Sem lazer, restou-me recorrer à ficção
De viver e à realidade de morrer na
Mentira de não ser; magoei a torcida
E saí do clube brigado com a diretoria,
Com a porteira fechada, as chuteiras
Penduradas, não posso mais voltar
Para jogar, é estender a fachada em
Outra estrebaria.

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