quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Parece-me que tudo está perdido; BH, 0901202012.

Parece-me que tudo está perdido,
Mas, no fundo, ouço uma vozinha
A dizer-me que nem tudo está
Perdido e que há coisas piores do
Que, as que pensamos que são as
Piores; e que bela frase ao chegar
À fase de que, nem tudo está
Perdido, que excepcional conclusão;
E pode-se repeti-la de verdade,
Quantas vezes necessárias, para
Chegar-se a verdade; e disse-me
Uma vez um alguém e a guardei
No meu sepulcro, para o caso de
Ressuscitar-me: há coisas piores; é
Bom repetir a verdade infinitamente,
Como um eco no desfiladeiro, um
Vento a galopar numa falésia, um
Vale onde o lírio se esconde, um
Cânion que nos causa maravilhas;
E a pensar que tinha chegado ao
Fim da linha, que seria o meu
Último suspiro, último soluço e
Que não mais beberia da chuva, e
Que nem me embriagaria pela luz
Do sol; vasto azul celestial, de qual
Escudo mais preciso? impressiona-me
Todo dia e não se entedia da sua
Função; infeliz de mim, malgrado
Meu, no dia em que abrir os olhos
Sedentos e não estiveres mais aí; furo as
Minhas retinas, arranco os meus
Olhos, não quererei mais saber
De ver outras coisas.

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