domingo, 4 de janeiro de 2015

Alameda das Princesas, 756, 88; BH, 0260902012.

Para começar este poema do dia, pois, se
Não começar o dia com um poema, não
Começo o dia; para mim o poema é
Mais importante do que o dia, pois
O dia passa e o poema fica; e se o
Poema fica, fico também, pois o
Poema sou eu e eu sou o poema; e
Se o poema é belo, somos belos; e se o
Poema é convincente, somos convincentes;
E acredito que, se não viver o poema,
Não vivo o dia, o dia e o poema
Nascem juntos; uns preferem aproveitar
O dia e desprezar o poema, eu já
Prefiro aproveitar o poema. e
Deixar passar o dia em brancas
Nuvens; não desprezo o dia, pois tanto
O dia nublado igual ao de hoje e
O dia ensolarado como foram outros
Dias, trazem no bojo grávido, útero
Cheio de poesias; ao pretendente a poeta
Não interessa as Penélopes, e sim as
Musas que guardam nos seios os segredos
Poéticos; as poesias, os poemas que, ao
Nascer do dia vêm nos dar bons-dias;
E desde o amanhecer até ao entardecer
E no entrar no anoitecer, a função
Do bardo é cantar as variações dos
Elementos, as sutilezas do ar, os organismos
Dos movimentos; em qualquer inesperado
Recanto do universo diurno, esconde-se
Uma poesia, a esperar que seja empossada
Como a rainha do dia e um poema a
Latejar para ser coroado o rei de ouro; e
Depois destas linhas, agora posso pensar,
Que o dia enfim, pode começar.

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