sábado, 17 de janeiro de 2015

Alameda das Princesas, 756, 105; BH, 0201002012.

E para quem não é o quem e para
O que não é o que, a vida deflora
A morte e a morte estupra a vida;
E para o tempo que não é o tempo,
A hora sem minuto e o minuto sem
Segundo; e universo sem mundo,
Para o homem que não é homem e
Para a mulher que não é mulher; e
Não vale nenhum dos nomes, o
Nome que não é o nome; e para o
Ontem que era o hoje e para o
Hoje que era o ontem, o amanhã é
Para o que não é o amanhã; o livro é
Palpável papiro de folhas de fibras
E para o que não está escrito, é o
Escrito que não foi dito; quem
Quiser escreve e quem não quiser,
Não ler; a escrita não é literatura
E a literatura não é a escrita e o
Que é, não será escrito; só quando
O destino vier e consumar a
Reminiscência e alterar a cadência
E no contrapé do compasso da
Batida do coração, o pé de vento
Segurar com a mão; e alçar voo
Da imensidão, mirar a mais alta
Dimensão; a sorte é um invento,
Que quem inventa, pensa que
Pode inventar; e o azar é uma
Desculpa de quem não sabe
Inventar; e para aquele que não
É aquele e deixará um dia
Transparecer a outro dia, e uma
Noite engendrar a outra noite, com
Uma madrugada intrínseca no útero.

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