segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Alameda das Princesas, 756, 111; BH, 0401002012.

Quando o dia não acontece, não há
Jeito que o faça acontecer e hoje
Foi um dia que não aconteceu, dia
Perdido, que quando não é dia, não
Há nada que salve esse dia; e o que
Sinto, é que desde o dia em que
Nasci, dia nenhum para mim aconteceu;
E para disfarçar, me iludo, me engano
E finjo que aconteço; e acontece que
Não aconteço e de fingimento em
Fingimento, o tempo passa e só
Lamento o santo dia perdido nesta
Agonia; e ansioso desespero-me e
Nem posso fitar-me no espelho sem
Entrar em contradições; arranjo um
Adorno para o cabelo, uma postura
Para a atitude do corpo, borrifo um
Perfume e saio tal um alguém, que
Passa a impressão de que é alguém,
Feliz e realizado; e nada o dia me diz
E nada o dia existe em mim e nada o
Dia acontece em mim, mesmo com o
Sol a queimar-me a pele, ou a deixar
A minha ossada calcificada; mas, fito
As coisas e engraçado, as coisas
Existem e quando as coisas me fitam,
Mesmo sem eu falar nada, fazer um
Movimento, ou fingir de novo em
Acontecimento, as coisas percebem
Que não existo: a folha seca cria vida
Com o vento, todos procuram a sombra
Com o sol, bebem da água fresca e
Saciam-se e de lá não contemplam-me,
Sol, sombra, água fresca, coisas do dia.

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