segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Alameda das Princesas, 756, 110; BH, 0401002012.

Alguém já disse isto e vou repetir, o papel
Do escritor não é falar, é escrever; e me
Lembro quando Pablo Picasso disse: não
Falo tudo, mas pinto tudo, gostaria de
Recordar aqui; e minha mãe antigamente
Falava: quem fala demais dá bom-dia a
Cavalo e morde a língua; e peixe morre é
Pela boca, caveira quem te matou? foi a
Língua meu senhor; estes ditos de minha
Mãe levaram-me ao silêncio, a falar pouco,
Ou quase nada; e isto em qualquer lugar,
Desde os tempos de grupo, sempre fui
Calado, mudo e depois evolui para cego
E depois, surdo; e penso que o papel do
Escritor, além de pensar muito, não falar
Nada, é o de escrever tudo; é esta a
Marca registrada do escritor: recato de
Regato, riso de riacho, alardes de tardes
Modorrentas, silêncios de subterrâneos,
Largueza de horizonte e altitudes de
Firmamento; o escritor é o vento que
Traz a brisa e o sereno que chega com a
Noite e o orvalho do amanhecer do dia;
A obra pode até ser retumbante, bem
Barulhenta, com algazarra de legiões,
Epicentros de terremotos, de maremotos,
Erupções de vulcões e tormentas de
Tempestades; mas, o escritor é catacumba,
Calabouço, sepulcro e a obra pode ser
Trovão, raio, furacão, o escritor não, o
Escritor é bonança de fundo de mar, mudez
De raiz na terra fértil; então reitero o papel do
Escritor não é falar, é deixar que as obras falem.

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