domingo, 11 de janeiro de 2015

Alameda das Princesas, 756, 97; BH, 0280902012.

Hoje estou impossível, precisava passar esta
Dor de cabeça, mas percebo que não é
Minha; está dentro da minha cabeça, mas
Não é uma dor minha, é uma dor que talvez
Sócrates tenha sentido, ou Platão, ou até
Mesmo Saramago, ou o nosso Machado de
Assis; algum escrito de mestre, de um destes
Mestres ocupou a minha cabeça com esta
Dor; não vou dizer que seja o Cervantes, ou
O Montaigne, ou o Nietzsche, que sofreram
Muito de dor de cabeça, dizem; este martelar
Nas têmporas é de algum homem da idade
Da pedra lascada a bater nas paredes das
Cavernas do meu crânio; é a pré-história
Todinha que está aqui dentro a causar-me
Dor de cabeça; é o chumbo das tintas de
Picasso, Dali,  Van Gogh, ou o absinto; é
O choro de Dali por Gala, ou de Bishop por
Lota; esses espíritos, essas almas, esses
Demônios forçam-me a dar vidas aos seus
Pensamentos, esses seres inda querem ser em
Mim; e os sirvo e servem de mim, os filhos de
Pessoa por exemplo enchem meu saco, mordem
Meu cérebro e não sossegam nem quando
Acaba o desassossego, com a chegada de
Manoel de Barros em materialização; falei que
Estava impossível, mas não, eles que estão
Impossíveis e fantasmas arrastam-me nas
Correntes pelos corredores dos hospícios
De minha mente.

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