sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Alameda das Princesas, 756, 96; BH, 0280902012.

Rapazes, a melhor coisa que acontece comigo,
Companheiros, é quando descubro um veio,
Um filão, camaradas, numa mina de letras e
Palavras, amigos, mesmo que sejam usadas e
Repetidas infinitas vezes; o que me faz
Realmente me sentir bem, pândegos, é
Desentocar de dentro do interno, pensamentos
Empedrados, ideias adormecidas, lembranças
Esquecidas, recordações nostálgicas apagadas;
Rapazes, não tendes percepções, de como me
Sinto feliz ao chegar em mim a intuição, não há
Preço que pague um momento deste; é    
Inusitado, é um prazer indescritível preencher
Um papiro, um pergaminho a ser enegrecido
Pelo tempo; um manuscrito a ser perdido, uma
Lápide duma pedra, uma placa de mármore,
Ou uma face de qualquer outro mineral, ou
Mistério de minério; como poderia dizer,
Camaradas, o que Platão sentiu ao dar luz ao
Mito da Caverna? se eu que o leio e o tento
Pensar e ao interpretar, fico em êxtase,
Imaginais o cara que cria aquilo; e depois
Serenou, esperou, voltou a si, balançou a
Cabeça, meneou o semblante, vasculhou o
Firmamento e ao sentir o tamanho, a bitela
Que era a obra; companheiros, se por acaso
Chorar, não zombais de mim, queirais perdoar
Pela fraqueza do fracasso que sou; se
Conhecerdes o que falo, talvez não choreis,
Sois fortes, sois nobres, sois durões; eu não,
Sou menino ainda, sou um daqueles prisioneiros
E talvez tenha até ajudado os outros a matar o
Que se libertou e seria o nosso libertador;
Rapazes, companheiros, amigos, camaradas,
Sou assim mesmo, meio emotivo, não titubeeis,
Pagueis umas pingas para mim e está tudo certo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário