segunda-feira, 19 de junho de 2017

E um anjo falou para mim assim: BH, 0160602017.

E um anjo falou para mim assim: 
Nada escreve-se de novo, nem nos céus,
Nem na terra; tudo já foi dito, ditado,
Citado, nada é novo e o que, pensas escrever,
Já foi escrito; então, porque vives a pedir-me
Escritos, escrituras? milhares escreveram 
Todas as orações, salmos, hinos, períodos,
Artigos e só compilações surgem; e fiquei
Sem letras, palavras diante do anjo e não 
Tive mais fé, ousadia, audácia, coragem
De pedir-lhe uma poesia; e perdi a 
Segurança, a garantia e a confiança e 
Criança, não pedi o poema desejado; e o 
Anjo ralhou comigo, ameaçou surrar-me,
Expulsava-me com espada de fogo, 
Como se eu fosse um Adão; e 
Estigmatizava-me, com tatuagens, 
Como se eu fosse um Caim e 
Vomitava-me, como se eu fosse um 
Jonas; e dizia-me que eu não era um
Bom semeador e que demoraria para 
Que, assimilasse um contexto de 
Critério; e fiquei com raiva e briguei 
Com o anjo e não deixei-o voltar para 
O céu; e aleijou-me e fiquei manco para
O resto da vida, a arrastar um pé atrás do 
Outro e a não dar um passo para a frente; 
E distrai-me, o anjo fez uma escada do 
Nada, fugiu para o céu, junto com os 
Outros anjos que, gostam de vadiar pelos
Universos, a envolverem-se com alienígenas
Alienistas; pousei a cabeça numa pedra,
Procurava descansar, os pesadelos saltitam
À minha frente a expulsar os sonhos do meu
Sono; e não dormi com a madrugada, e o 
Sol pegou-me com as calças nas mão;  Arthur 
Bispo do Rosário emprestou-me o Manto
Real e rezei um terço aos loucos de nascença.  

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