quarta-feira, 28 de junho de 2017

Vi marchar em filas e desfilar; BH, 0120402001; Publicado: BH, 0260802014.

Vi marchar em filas e desfilar,
Passar um atrás do outro
E suceder-se assim,
Toda a solução embaraçosa de difícil solução,
No desfiladeiro diante de mim;
E na passagem estreita entre as montanhas,
Uma voz falou-me:
Decifra-me ou devoro-te;
Não decifrei,
Não fui devorado,
Mas, via desfigurar-me;
A mudar-me a figura
E a deformar-me;
E tudo veio a deturpar-me
E a desconcertar-me;
Pensei:
Melhor seria ter sido devorado;
Ser alterado e viver transtornado
E demudado de feições,
Nenhum cadáver aceita;
Desfigurado defunto que mudou de figura,
Nenhum morto aceita;
Ajuda-me a analisar,
Tirar e separar as fibras da carne;
Ajuda-me a desfibrar,
A referir e a explicar minuciosamente:
Será que entenderei?
Ou vou correr em fio de líquido?
Vou fazer-me em fios na navalha?
Desfilar perante a todos sem reagir?
Preciso das respostas daquilo que se desfia,
Preciso ser esmiuçado,
Desfeito em fios;
Vivo ainda ao ser desfiado,
A pulsar para que alguém,
Possa tirar as ferraduras,
Da minha ignorância,
A sufocar-me;
Alguém precisa desferrar-me das trevas,
Desferir um murro na minha cabeça
E fazer vibrar meu cérebro;
E o espírito a atirar e a entoar canções
De transfigurado de corpo diluído;
Sólido destruído e que mudou completamente
A forma e ficou desfeito,
A fazer pirraça e a desconsiderar a situação;
E a fazer desfeita e a desfeitear o algoz,
O carrasco do cão que já foi puxado;
O revólver está engatilhado;
Chega o crânio perto do cano,
Que não quero errar,
Tenho medo de errar.

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