poeta morto é destilaria abandonada
metralhadora calada baioneta cega
surda muda o gás não acende mais
o lampião o candeeiro de combustão
a lamparina sem petróleo sem azeite
no tição apagado a brasa fria poeta
gladiador abatido na arena a espada
sem corte o corpo sem a armadura a
defesa perdida todos com polegares
para baixo a indicar extermínio total
plateia ávida gritava delenda imperador
selou destino poeta morto que tornou
a morrer para nunca mais viver sem
asas para voar alma do poeta caiu no
mar espírito no deserto ser foi devorado
por aves de rapina os sonhos semeados
em pedreiras depressões declives
declínios quem mandou não se
embriagar de subjetivismos? não se
aprofundar nas raízes das areias? nos
nascedouros de turbilhões de redemoinhos
de moléculas de poeiras furacões de cinzas
metálicas de chumbo em pó? na virada do
tempo para outro tempo que de tempos em
tempos acontece no tempo o tempo ficou
doente pegou um resfriado arrumou uma
gripe espirra tosse arrepia cachorro molhado
não será o que é esperado o fruto bruto a
fruta que era flor que blandícia em saber
que não focou no aqui a esperar vir do
aquém a ir para o além um matusalém
torre de belém espera que babel vem
donde que não se vem o trem do
desdém até logo amém
BH, 0200602017; Publicado: BH, 050602017
Já faz um bom tempo que não persigo pegadas de poesia. Foi um prazer percorrer essas letras, obrigada e parabéns!
ResponderExcluirMuito obrigado, seja sempre bem-vinda.
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