segunda-feira, 5 de junho de 2017

Morreremos e não desvendaremos os nossos mistérios; BH, 0130502017.

Morreremos e não desvendaremos os nossos mistérios,
Enterraremos os nossos sigilos conosco, junto com os
Nossos enigmas e segredos; os atavios que, levaremos,
Serão os que dão ao cadáver, a impressão de dignidade
E personalidade que, não teve em vida; e todos mortos 
Pareceremos retos, cordados, inabaláveis, pois, não 
Faltará, quem quererá nos resgatar, nos salvar dos nossos
Complexos, dogmas, tabus, conservadorismos; e no 
Nosso velório teremos até o ar de vivos, aspecto de 
Sóbrios e quem falará bem de nós, aparecerá de uma 
Hora para outra, a tecer loas e elogios à nossa pessoa,
Quem não mereceu um pio de consideração; e não há 
Nada num vivo que a morte não dê jeito, de tudo de 
Ruim que carregamos, transforma em blandícia, inclusive
Saudades, é, alguns dirão que sentirão saudades de nós;
E por incrível que possa parecer, mesmo que seja com
Falsidade, hipocrisia, jurarão memórias, lembranças,
Recordações e eternas amizades e fidelidades; e os choros,
As carpições, as ladainhas, logo, logo se transformarão 
Em euforias, alegrias, contentamentos, do cotidiano, 
Como se ninguém tivesse morrido e se morreu, já foi 
Logo esquecido; e há casos que, muitos mortos ainda são
Transformados em santos, mesmo que apareçam os 
Advogados do diabo para dizerem que, tudo não 
Passava de uma invenção barata e sem registro de patente.

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