domingo, 9 de março de 2014

MIKIO, 98; BH, 0150302013.

Li a lista de todos os nomes
E o meu nome não estava lá,
Meu nome não está na lista de todos os nomes;

E teimo incluir meu nome,
Na lista de todos os nomes;

Que vaidade mais besta,
Olhar uma lista
E querer ver o nome lá nessa lista;

Que soberba,
Que falso orgulho
E cadente ufanismo,
Porque não contentar em não ter o nome
Escrito em lista nenhuma?
E quer ter logo o nome escrito na lista de todos os nomes;

E essa lista se transforma em cinzas,
Como todas as listas
E todas as pedras se transformam em pó;

E todas as listas que continuo a encontrar por minhas andanças,
Leio e meu nome não está no meio dos nomes;

E para que quero um nome?
Para que deram-me um nome?
Preciso dum nome
E sobrenome
E apelido
E alcunha para ser alguma coisa?

Que coisa chata é nome:
Qual o teu nome?
Ninguém;
E qual o teu nome?
Todos os nomes
E qual o teu nome?
Que nome?
Se não tenho nome;

Chamam-te de quê?
De nome;
De nome?
Sim,
De nome,
De nomes,
De todos os nomes;

E em todos os cartórios de registos de pessoas naturais,
O nome que faltava era o meu;

E de teimoso pedi uma Certidão de Nascimento,
E deram-me um Atestado de Óbito;

Bem feito.

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