sábado, 15 de março de 2014

Oh pedras ouçais o que canto; BH, 0601002013.

Oh pedras ouçais o que canto,
Ouçais meu canto, pedras de
Cristais, vidros de vitrais;

Oh, árvores imortais, canto estes
Cantos, que Camões deixou
Escapulir nas ondas dos mares aonde navegou;

Canto estes Cantos que Homero esqueceu
E o vento que os encontrou
E os trouxe aqui;

São Cantos de Troia,
São Cantos da Grécia,
São Cantos infinitos de Portugal infinito;

Oh, belas pedras milenares,
Tantos cantos tendes bem mais do que eu,
Quantas batalhas vossos olhos presenciaram;

Quantos corpos espatifaram-se,
Contra vossos rochedos e aedo, aqui,
A querer cantar, num altar de tanta grandeza;

Quantos sangues lavaram vossas pradarias,
Toda vez em que se fere uma rocha do vosso rebanho,
Dela brota sangue onde lavo minhas mãos;

E lavo os meus pés e enxugo em vossos cabelos sagrados,
Oh, pedras tão consagradas, moradas das eternidades,
Moradias de sobrenaturais entidades;

A mesa mais soberana é a que será preparada
Diante de mim, na presença dos meus inimigos,
Que me darão do próprio sangue para provar.

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