sexta-feira, 14 de março de 2014

Santuário; BH, 01401102013.

Sinceramente,
Gosto do santuário
E quando o abro,
Saem coisas consagradas
E também profanas;
Adoro o sobrenatural,
Dita-me de dez mandamentos,
A milhares de desmandamentos;
E sigo os versículos,
Capítulos e trilhas sonoras
E decoro salmos e hinos
E num piscar de olhos,
Lá vou perder o decoro;
Numa palavra ponho abaixo as muralhas,
Numa letra lá se vai a corrente de pensamento,
Com o rompimento dum elo;
E não conheço um por cento dos vernáculos
E quero falar a verdade,
Ser o dono da razão;
Não tenho a segurança e a garantia,
Ou a confiança da verborragia
E quero ditar normas,
Leis e salvação,
Estatutos e pregações;
Fui espírito em outras priscas
E hoje não sou picas;
Há os que são alguma coisa por mim:
Pedras e torrões,
Cinzas e marcas de pegadas aonde andei
E arranhões no firmamento,
Onde friccionei o olhar;
E se o mar é azul,
É de tanto eu chorar de cabeça para baixo.

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