sábado, 8 de março de 2014

E não vos direi nada; BH, 01701002013.

E não vos direi nada,
Deixarei que o meu coração diga,
É o único órgão,
Que pode falar por mim,
Antes de me matar;
E não sossegarei,
Não quererei calmaria,
Bonança,
Águas tranquilas;
Não quererei refrigeração da minha alma,
Seria inútil,
Estúpido;
E tal vil hipócrita,
Pagarei o que tiver de pagar,
A quem vier cobrar-me;
E se não houver cobrança,
Nada também pagarei;
E se houver cobrança
E não tiver como pagar,
Com sangue,
Alma,
Espírito,
Também não pagarei;
E das palavras que disse,
Lavarei a boca com sangue;
Quem quiser que lave com água,
Com vinho,
Ou com leite;
E quem quiser,
Que inda lave com mel,
Para tirar o ranço do amargo da língua 
E do que estiver impregnado no céu da boca;
Não vos direi mais nada,
Não tenho purificador de palavras;
Palavras são palhas
E quem mais gosta de palhas,
São os ventos;
E se há para quem direi alguma coisa,
É para quem habita o olho do furacão.

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