quarta-feira, 26 de março de 2014

Quem nunca leu uma linha do horizonte; BH, 01501202013.

Quem nunca leu uma linha do horizonte,
Quem nunca testemunhou o encontro das paralelas,
Quem nunca habitou o olho do furacão,
Quem nunca deu nome à todas as estrelas dos céus,
Quem nunca as chamou pelos nomes,
Quem nunca viajou pelos exoplanetas fora do corpo,
Quem nunca saiu do sistema solar,
Quem nunca ultrapassou as barreiras do universo,
Quem nunca entrou dentro dum núcleo dum átomo,
Quem nunca entrou dentro duma membrana celular,
Quem nunca contou os grãos das poeiras cósmicas,
Quem nunca bebeu água de chuva ácida,
Quem nunca caminhou pelos caminhos subterrâneos que unem os continentes,
Quem nunca pescou nos lençóis freáticos,
Quem nunca soube contar o era uma vez da pré-história,
Quem nunca teve contato imediato do terceiro grau,
Quem nunca viu fantasmas, assombrações, espíritos, almas penadas,
Quem nunca viu entidades e entes sobrenaturais, duendes,
Quem nunca viu restos mortais dos loucos mortos em hospícios,
Quem nunca viu restos mortais dos presos mortos em calabouços,
Quem nunca viu nada dos mortos engolidos pelos mares e que inda não foram vomitados,
Quem nunca andou, sonâmbulo, de cabeça para baixo no teto
E foi acordado no ato
E ao cair de ponta cabeça,
Deu uma guinada no corpo e caiu de pé:
Está a beber pouco
E a fumar pouca maconha
E a cheirar cocaína batizada
E a aplicar água nas veias.

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